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Breves

segunda, 06 março 2017 00:00

A Broa e o Bolo Negro de Loriga

Com mais de 150 anos segundo diversos testemunhos, é um bolo exclusivo de Loriga, singular na região e no país, com sabor e textura especiais, original no formato – retangular – e cor escura.

Diz a história que o Bolo Negro é herança da colónia inglesa que, no século XIX, se estabeleceu em Loriga. O facto é que o bolo logo foi adaptado ao gosto português e acabou por se tornar um produto exclusivo da vila, pelo seu sabor e textura únicos.

A cor escura é dada pela canela introduzida na receita e o formato retangular acabou por tornar-se uma marca de procedência.

Se num primeiro momento era consumido sobretudo em épocas festivas, como a Páscoa, com o tempo as pessoas passaram a querer desfrutar desse prazer sempre que lhes apetecesse. E por isso o Bolo Negro é consumido todo o ano.

Alimento marcante na cultura de Loriga permanece forte elo de ligação dos Loriguenses à sua terra.

O Bolo Negro de Loriga é um bolo simples nos seus ingredientes: ovos, açúcar, farinha, bicarbonato de sódio, canela e leite. Tradicionalmente batido de forma manual e cozido em forno de lenha, em forma de lata fina retangular com uma característica diferente: alta (12,5 cm), para a massa poder crescer e cozer sem vazar.

A Broa e o Bolo Negro de Loriga são produtos particularmente requisitados por quem visita Loriga e são objeto de apetitosa oferta gastronómica nos vários restaurantes locais.

Segundo Luís Costa, presidente da direção desta Confraria o segredo deste sabor único do Bolo de Loriga prende-se não só com “o amor e carinho com que é feito, mas, principalmente, o grande segredo está na canela”.

A indústria panificadora local promove a sua distribuição a nível nacional e para as comunidades loriguenses fora do país.

“Todos os dias de manhã, uma carrinha leva para Lisboa os sabores de Loriga, o Bolo Negro e a Broa. Vendemos localmente, em Seia, mas também para Gouveia, Oliveira do Hospital e Lisboa. Estamos a entrar no mercado da SONAE (Continente) e já assinámos um pré-contrato com uma empresa Suíça para ver se ele é bem aceite. No Luxemburgo já conseguimos entrar, em boa parte devido à nossa comunidade de emigrantes”, refere.   

 

 

A Broa de Loriga

Broas há muitas. Mas quem experimenta a Broa de Loriga percebe logo estar perante um sabor único.

Introduzida na gastronomia local há séculos, ao longo dos tempos a sua receita foi sendo apurada, de forma a adaptar-se ao gosto das gentes locais.

A Broa de Loriga tem uma identidade muito própria, forjada nos fornos de lenha coletivos, com o empenho de todos.

Há quem imagine que as broas são todas iguais. Não são. Porque só a Broa de Loriga sabe como a Broa de Loriga.

Afinal, ser inconfundível é a marca dos produtos realmente únicos.

 

 

A genuinidade e a autenticidade

Com cerca de 120 Confrades, a Confraria da Broa e do Bolo Negro de Loriga continua a preservar e a recuperar uma tradição. 

Com um único moinho a funcionar em Loriga, seria difícil fazer face a todas as quantidades produzidas. “Para a quantidade que produzimos seria difícil haver farinha suficiente. Agradecemos ao único moinho que há em Loriga. No entanto, a farinha, neste momento, está a tornar-se escassa, o que faz com que, qualquer dia, o nosso produto deixe de ser genuíno”, esclarece Luís Costa. Porém, para combater esta situação, a Confraria está a adquirir a farinha para a Broa em outros locais do concelho, nomeadamente Sandomil. “Se não fosse este moinho e o moleiro de Sandomil, a Broa genuína, tal como ela era conhecida antigamente, deixaria de existir.”

 

A arte do moleiro em vias de extinção

Loriga é uma vila com história e encerra em si um grande número de moinhos que se encontram abandonados. A Confraria está a tentar adquirir um moinho, “mas os preços solicitados são bastante elevados e assim não conseguimos comprar”, refere o presidente, e acrescenta “se ninguém pegar nesta arte do moleiro, prevê-se que nos próximos cinco/dez anos, esta arte acabe definitivamente em Loriga.”

Neste sentido e para que esta arte não se extinga, a Confraria está a trabalhar afincadamente para que a tradição volte a ser como antigamente. “No tempo áureo tivemos seis fornos, todos eles a trabalhar e muitos deles comunitários. Chegámos a ter 12 moinhos a funcionarem ao mesmo tempo, aproveitando a força das águas. Por isso, não queremos que isto acabe assim…” 

 

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