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Breves

quarta, 06 fevereiro 2019 00:00

Território da Serra da Estrela em destaque no Calendário da National Geographic de 2019  Destaque

As 13 fotografias são da autoria de Filipe Patrocínio, um jovem senense

Filipe Patrocínio é um jovem senense amante da fotografia e da serra da estrela.

É designer e fotógrafo. Cresceu em Seia e foi durante a licenciatura em Artes e Multimédia que descobriu o poder da fotografia e do design, até que percebeu que podia aliar tudo e viver à ‘custa’ disto mesmo.

Conta com algumas dezenas de exposições individuais de fotografia, prémios e outras dezenas de publicações regulares em revistas desta especialidade e no ano passado começou a colaborar com a National Geographic Portugal, onde publicou duas reportagens fotográficas dedicadas à Serra da Estrela.

Desde 2016 que faz parte da equipa promotora da candidatura da Estrela a Geopark Mundial da UNESCO, que visa a promoção de um território que tem como base a Geologia. 

Recentemente e devido à sua grande dedicação e profissionalismo, Filipe Patrocínio foi chamado a desempenhar mais um trabalho de grande envergadura. Ele é o autor das 13 fotografias que constituem o calendário para 2019 na revista National Geographic Portugal.

 

A Revista National Geographic Portugal lançou, no passado mês de dezembro, o Calendário de 2019. O território deste ano é o Geopark Estrela e as 13 fotografias (mensais e capa) são da autoria de Filipe Patrocínio. 

“Este é um pequeno registo dos últimos anos e alguns sacríficos que não se veem por detrás da objetiva e das imagens bonitas, agora reconhecidos pela maior revista científica do mundo, em prol do nosso território”, refere Filipe Patrocínio.

Em entrevista ao JSM, este jovem senense diz que a paixão pela serra veio de muito novo. Desde cedo que frequentava o Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE), fazendo workshops, não só dedicados à natureza, como também à fotografia, tendo sido através do CISE que conheceu a Serra da Estrela e os locais mais inóspitos. Por ser um espaço remoto, sem confusão, a paixão pela serra foi imediata.

A maior parte das vezes, Filipe Patrocínio vai sem destino e fotografa o que de melhor a serra lhe vai oferecendo. Contudo, há reportagens que lhe são solicitadas e, neste sentido, faz primeiramente um brainstorming e, a partir daqui, é que ruma ao local previamente já estabelecido.

Já expôs em vários locais. Criou um projeto fotográfico “Panorâmicas 360”, dos locais mais emblemáticos da cidade de Seia onde expôs em várias locais, durante meio ano, nomeadamente em Seia, num roteiro fotográfico, divulgando estes locais. Isto aconteceu numa fase mais embrionária. Depois viu que não lhe trazia tanto prazer como a Serra da Estrela e focou-se mais nesta aventura. 

Sendo “a fotografia uma boa ferramenta para divulgar”, Filipe Patrocínio começou por algumas revistas só da especialidade da fotografia, até que, recentemente, veio a oportunidade e o convite da National Geographic para começar a colaborar. 

“A primeira fotografia publicada não tinha muito a ver com a Serra da Estrela, isto porque, existe uma secção de leitores da National Geographic onde, mensalmente, publicam cerca de 4 fotografias, que selecionam, meramente estéticas, sem nenhum tema em concreto. Enviei para eles uma fotografia que foi publicada. Era uma paisagem da Serra da Estrela, no Vale de Rossim, de um cão, um “Grand Danois”, e a foto, por questões estéticas, foi publicada na edição especial “Câes e Gatos”. Foi aí o primeiro contacto. Para além disto e como trabalha na Geopark, Associação Geopark Estrela, a National Geographic queria realizar um trabalho sobre a Serra da Estrela mais científico. Filipe Patrocínio viu esta oportunidade como um passo mais à frente, tirou algumas fotos e foi assim que surgiu a primeira reportagem, em julho do ano passado.

Utiliza o drone para captação das imagens e, para além de fotografar, divulga o que de melhor se pode encontrar na Serra da Estrela. 

 “Costumo dizer que o fotógrafo profissional é aquele que vive, apenas, à custa da fotografia. Eu sou designer gráfico e a fotografia, não é um “part-time”, é um complemento. ”

 

Filipe Patrocínio alerta para a preservação das espécies no Covão dos Conchos e para a destruição das mariolas

Para este jovem fotógrafo, “as pessoas que se deslocam à Serra da Estrela, quer sejam turistas quer sejam da própria região, estão mais sensibilizadas para a questão ambiental. Contudo, ainda há muito a fazer, uma vez que nem todas as pessoas estão ainda cientes para a problemática da questão ambiental. “Nós gostamos de preservar aquilo que é nosso e depois do turismo de neve, há muito lixo que é deixado; há muitos locais que têm espécies ameaçadas onde são proibidas motorizadas e, mesmo ainda, fazem passeios motorizados nesses locais ameaçados.  Aproveito para falar do Covão dos Conchos. As pessoas não fazem ideia de que lá há espécies ameaçadas, desde répteis a macro plantas carnívoras e passarmos com jipes por esses locais, estamos a massificá-los, a destruir estes sítios. Por isso, temos de ter essa consciência ambiental. ”

Neste sentido, “há que saber divulgar, há que conduzir as pessoas para outros locais que também têm a sua beleza, em vez de estarmos a massificar aquilo que nem sempre tem as melhores condições para acarretar tantas pessoas”, apela Filipe Patrocínio.

Uma outra problemática tem a ver com o amontar de pedras, designadas por mariolas. “Estas surgiram há muitos anos atrás com o objetivo de os pastores e os caminhantes não se perderem quando há mais nevoeiro ou quando a visibilidade é mais reduzida. Serve para os guiar nos percursos e, ao amontoarem-se as pedras da forma como estão a ser feitas, desmarcam esses trilhos, podendo, inclusivamente, perderem-se. Além de que as pedras servem, também, como proteção para muitas espécies. As pessoas não fazem ideia, de que a lagartixa da montanha, uma espécie da nossa zona, deixa de se poder proteger contra outros predadores e as próprias plantas dependem dessas pedras. Nós falamos desta problemática não só por questões estéticas, mas, sobretudo, por questões mais práticas e sérias”, explica Filipe Patrocínio.

 

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