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Breves

quarta, 02 outubro 2019 00:00

Entrevista a Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo e cabeça de lista do Partido Socialista pelo distrito da Guarda às próximas eleições

“Não interessa dizer que se faz. O que interessa é fazer.”

Jornal de Santa Marinha (JSM): Como é que surgiu a oportunidade de ser cabeça de lista pelo PS, pelo Distrito da Guarda?

Ana Godinho (AG): Resultou de uma iniciativa do próprio PS da Guarda de sugerir e identificar o meu nome como sendo uma pessoa que tem lutado pelo interior. Nos últimos quatro anos tenho feito uma grande aposta em abrir o mapa turístico de Portugal. Esta tem sido a minha área. Por outro lado, a minha grande presença permanente no terreno levou o próprio PS do distrito propor que fosse identificado meu nome como cabeça de lista.

Desde sempre fez parte da minha vida esta ligação aqui ao território. A minha mãe era de Foz Côa. Talvez por isso tenha, também, assumido desde o início, o interior como uma bandeira e o turismo como fundamental de mobilização do território. Diria que não é só por uma questão de ligação emocional, mas também, por uma questão de inteligência estratégica de posicionamento do país. Sabemos que temos cada vez mais procura turística internacional e tínhamos que aproveitar o momento para esta dinâmica que estamos a ter em termos de procura. Temos trabalhado muito e temos tido resultado, nomeadamente das ligações aéreas.  Nestes quatro anos conseguimos, 584 novas rotas e operações aéreas para Portugal. Claramente que isto nos ligou ao mundo e abriu-nos novos mercados, nomeadamente, o mercado brasileiro, americano, canadiano, chinês, australiano…

Mas precisávamos de ter uma estratégia para desconcentrar a procura e aproveitar este momento para trazer as pessoas para descobrir o interior. Por isso, apostámos muito e criámos um programa especial chamado “Valorizar” em que, pela primeira vez, assumimos que tínhamos de ter algo positivo para acelerar o desenvolvimento do interior. Se no litoral já estamos com uma grande dinâmica, que é natural do mercado, aqui no interior tem de haver uma política pública que contrarie, de alguma forma, só o que o mercado sozinho faz e crie uma alavanca superior de assunção de risco por parte dos estados, para o desenvolvimento de projetos. Com o “Valorizar”, propusemos 100 milhões do orçamento do Turismo de Portugal.

JSM: E em que consiste este Projeto “Valorizar”?

AG: Alocámos 100 milhões de euros para projetos turísticos no interior. Assumimos, que no caso de projetos sem fins lucrativos, a linha do “Valorizar” assumiria 90% do risco dos projetos e relativamente a projetos com fins lucrativos assumiria 50%. No que concerne ao distrito da Guarda, temos 54 projetos a acontecer no âmbito do “Valorizar”. Queremos acelerar produto em termos de alojamento e de animação turística, mas também ajudar a criar redes de oferta para ganhar escala e trabalhar, também, com a operação turística, ou seja, trazer operadores turísticos para o território e colocá-lo no mapa internacional. O programa “Valorizar” é isto mesmo, puxar pelo turismo, assumindo que este pode ter aqui um papel de instrumento valorizador do território e alavancador de outras atividades.

JSM: Mas o desenvolvimento do distrito não funciona somente com o Turismo… 

AG: O turismo pode ser claramente uma alavanca importante, mas não só. Temos de ter aqui outras atividades âncora, como a agricultura, os vinhos, a logística, os transportes… temos de acelerar, também, esta capacidade de atração de investimento e fixar investimento. Não há nenhuma região que viva somente do turismo. O turismo é um importante instrumento não só de captação de visitantes, mas de novos residentes, de novos estudantes e de novos trabalhadores, porque o turismo é, também, um cartão-de-visita. Muitas vezes as pessoas vêm cá só como meros turistas e, depois, transformam-se em verdadeiros investidores e fixam-se no território.

JSM: Há pouco falou que a sua mãe era de Foz Côa, portanto conhece bem o distrito ou ele é só uma estratégia eleitoral?   

AG: Sinto-me uma verdadeira embaixadora do distrito por andar no território e no terreno. A minha marca de vida tem sido esta. Primeiro conhecer, para depois divulgar e promover o território. Nos últimos quatro anos posso dizer que, em termos profissionais, tive mais de 40 vezes neste contacto permanente com o território, porque só assim é que foi possível criar o programa “Valorizar”, trazer jornalistas internacionais e trazer, pela primeira vez, o Congresso Ibérico de Turismo. Isto aconteceu por causa do contacto permanente que tivemos com este território e sabíamos as suas necessidades.

Não adianta termos pessoas que não conheçam o território e que não tenham os olhos postos aqui. Por isso criei uma equipa dedicada só ao turismo no interior, precisamente para que os olhos estejam nesta região. Para o distrito assumimos que uma das prioridades é ter os olhos colocados aqui para influenciar os centros de decisão. Um dos meus compromissos é ter na Guarda um Centro Nacional dedicado ao turismo do interior. Por outro lado, assumimos a verdadeira descentralização com projetos concretos que temos em curso para aqui ficarem instalados serviços públicos.

JSM: E quais os projetos que têm em curso?

AG: A serem aqui localizados, temos o Centro de Educação Rodoviária, que é uma nova agência que vai ser criada, e o Centro de Comando dos GIPS que, também, vai ser na Guarda. No âmbito do Governo, do qual faço parte, foi sempre assumido que o interior é uma prioridade. Hoje em dia, não há partido nenhum que diga que o interior não é uma prioridade. Depois, assumimos o início da redução das portagens que é o princípio de um processo que é fundamental para garantir a mobilidade e a acessibilidade ao território. Iniciámos, igualmente, o Registo Predial Rural para a regularização de todo o Registo do Solo Rural, de modo a podermos identificar a propriedade. Tudo isto é uma viragem de colocarmos o interior nas prioridades. Depois, é preciso ter a coragem de implementar todas estas medidas e isto só se consegue com a maioria parlamentar e consensos parlamentares.

JSM: Já falámos em várias medidas e em vários projetos para o interior. E em termos de saúde? Não acha que a saúde está pelas ruas da amargura no nosso distrito?

AG: Quando fala em ruas da amargura, não posso concordar consigo, porque, a certa altura, passámos todos a uma fase de alarmismo da população. Se olharmos para a evolução do orçamento da ULS da Guarda, e se compararmos 2014 com 2019, temos mais 14 milhões de euros de orçamento afeto à ULS da Guarda. O que estou a tentar dizer é que, de vez em quando, temos um ruído de alarmismo que resulta, certamente, de alguma preocupação eleitoralista que sentimos que está a acontecer no terreno e que fomenta muito o medo das pessoas. As pessoas não têm a memória curta e lembram-se bem quem é que desinvestiu totalmente em termos de serviços públicos, de encerramento de tribunais e que cortou em termos de rendimentos nos salários…

Não quero com isto dizer que a saúde não tenha de ser uma prioridade. Temos um problema de capacidade de atração de recursos humanos na área da saúde, nomeadamente, de médicos e de enfermeiros para o interior. Foram tomadas algumas medidas, mas não são suficientes. É preciso reformar e continuar este caminho com medidas especiais e insistir.

JSM: A lista anteriormente apresentada pelo Secretariado da Federação foi chumbada. Isso não enfraqueceu esta lista?

AG: O que tenho sentido é a forma mobilizadora e acolhedora por parte de todos. Tem sido extraordinária a quantidade de pessoas que estão connosco a construir o programa.

Estamos num momento de viragem para a Guarda. Temos uma lista que reflete a transversalidade, a diferença que o próprio distrito tem. Temos Seia muito bem representada com a Cristina Sousa, que é uma mulher que tem dado cartas e mostrado como é possível afirmar o território; temos o Fábio que representa a nossa juventude; temos a Marisa que representa bem a Guarda e as mulheres que fazem a força da lista; temos a Rita Mendes… e o Santinho Pacheco que tem defendido, pela sua história e pela sua permanente reivindicação, os interesses pelo território. Eu diria que tudo o que o território tem conseguido ao longo destes quatro anos de governação foi muito graças à capacidade reivindicativa, mas com responsabilidade, que o deputado Santinho Pacheco assumiu durante estes anos na Assembleia da República. É um exemplo daquilo que deve ser um deputado ativo a defender os interesses do distrito, ao contrário de outras pessoas que dizem que reivindicam, que fazem e depois têm pouca capacidade de concretização. Não interessa dizer que se faz. O que interessa é fazer.

Estamos aqui para encontrar soluções, saídas e futuro. Não é só resolver os problemas. É resolvê-los, com seriedade, mas, acima de tudo, construir condições para o futuro.

    

 

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