Os meses de fevereiro e março tiraram a Portugal e aos Portugueses a angústia duma seca severa que nem os mais otimistas acreditavam que voltasse a chover em Portugal.

De facto, ao olharmos para todo o solo de Portugal, era desesperante vê-los todos gretados, com animais a morrerem por falta de pastos, as populações a ficarem sem água potável… uma autêntica calamidade.

Se já todos andavam desesperados com a situação, para a nossa desgraça, os incêndios devastadores, além de terem perecido mais de uma centena de pessoas, é confrangedor ver centenas de milhares de árvores e terrenos calcinados, tornando-se uma paisagem sombria e triste.

Milhares de pessoas vieram ver, “in loco”, a desgraça que nos atingiu. Mas ver é uma coisa, sentir é outra.

Estas terras e gentes do Interior, votadas ao abandono, começam a ser impotentes para levantar de novo as terras que os viram nascer, já que a natalidade diminuiu substancialmente, como os mais idosos, descrentes com a vida, são cada vez menos.

Esperava-se, ardentemente, que a Primavera nos trouxesse já o esperado Sol e, com ela, o tempo ameno e, realmente, fazendo jus ao tipicamente tradicional, a natureza está a brindar-nos, naturalmente, com pássaros a chilrear, a fazerem a sua nidificação, as árvores a florirem, os terrenos a tornarem-se verdes e a vida a renascer.

Aliada à Primavera vem, para os povos do Mundo, a Páscoa da Ressurreição de Jesus Cristo, celebrada às culturas de cada povo.

Ela traz a alegria, o amor, a fraternidade, o tempo para meditar, as pessoas a sorrirem, a alegria estampada no rosto, não deixam dúvidas como a Natureza repõe as suas falhas.

A Páscoa da Ressurreição é o renascimento da vida quando a julgamos morta e só Deus se manifesta oferecendo as coisas belas.

Nós humanos, na maior parte das vezes, não sabemos saborear estas manifestações tão lindas.

Com o egoísmo pelos bens materiais, tornamo-nos nuns hipócritas, cínicos, bisbilhoteiros que, tantas vezes, prejudicam as pessoas, ferindo-as naquilo que elas possuem melhor: O AMOR-PRÓPRIO.

Não somos nenhuns néscios para fechar os olhos a tantas crueldades e, infelizmente, a uma sociedade que, rapidamente, se envolve naquilo que mais lhe convém, esquecendo o essencial.

Neste binómio Primavera – Páscoa da Ressurreição de Cristo, não podemos esquecer todos aqueles que sofrem no leito de uma cama, numa casa sem condições para viver qualquer ser humano, os desprotegidos da sociedade, os sem-abrigo e todos aqueles que tanto têm sofrido com as guerras e são mortos indiscriminadamente.

Por tudo isto abrimos o nosso coração a todos eles, na esperança de melhores dias para a humanidade.