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Breves

Sentado de frente à televisão e ligada na RTP Antena 1, reparei num homem que, numa praça espanhola estava a dar pontapés numa bola com uma mestria impecável e que, por duas vezes, mudava a caixa de esmolas e continuava perante uma esplanada com pessoas e transeuntes que passavam indiferentes àquele homem vestido de mendigo.

Por fim, o tal mendigo era, nem mais nem menos, do que CR7 – Cristiano Ronaldo que despiu todas aquelas roupas e todos o reconheceram. Quase que, de imediato, atónitos, logo acorreram muitas pessoas para o ver, assim como as pessoas que se encontravam nas esplanadas se levantaram e correram para ver aquele “mendigo”.

Encontrava-se ao meu lado uma anciã, com 82 anos, que, de uma forma inteligente me disse: “tanto tens, quanto vales, nada tens, nada vales!”

Esta dedução da anciã, tão rápida, criou em mim um calafrio impressionante. De seguida dei-me a pensar naquela frase tão profunda e cheia de conteúdo que não me saiu da cabeça.

Como os homens se comportam no seu dia-a-dia e olham o seu semelhante com uma indiferença tal!

Naturalmente que são milhões de almas que em nada se preocupam com os sem-abrigo, com gentes, homens, mulheres e crianças, a passarem fome; com doentes que, alguns num leito de qualquer casa sofrem de solidão e doentes, sem ninguém que lhes leve uma palavra de carinho.

Todos eles se preocupam com os pequenos nadas materiais que valorizam, com dinheiro, muito dinheiro, quando deviam preocupar-se, no mínimo, com todos os que sofrem.

A comodidade instalada em qualquer parte do mundo traz na boca “vivem bem, que trabalhem”. Até parece que a classe pobre não trabalha e não faça nada pela sobrevivência.

Puro engano! Quantos jovens, pessoas no ativo não sobem escadas à procura de um emprego? Quantos não deixam as suas famílias à procura de melhores dias?

Quantas lágrimas de angústia e desespero são vertidas num lago de esperança e sem retorno?

A atitude do CR7- Cristiano Ronaldo foi digna e demonstrou sentimentos que ele, pela fama granjeada no mundo, não se deve marginar seja quem for.

Estamos a viver a maior epopeia de desgraças que os portugueses estão a passar. O desespero é grande, a fome campeia; os remediados entram na linha da pobreza, o lucro do seu trabalho, que devia ser para engrandecer o país, vai para outros povos.

Não é por acaso que cidadãos de Instituições de outros países compraram todas ou quase todas as empresas lucrativas deste triste país. Enfim… era um sem fim de episódios de desgraça que nos caiu em cima.

Realmente e repetindo a frase de desabafo da anciã, de 82 anos:” Tanto tens, quanto vales, nada tens, nada vales!”

 

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