Sempre se ouviu dizer em Portugal que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) é dos piores serviços de saúde que existem no país.

Não tenho dúvidas que há muitas situações em que os utentes deveriam ser mais bem entendidos nas suas queixas e, sobretudo, nas largas filas de espera que muitos doentes, doentes, aguardam ser vistos pelos profissionais de saúde.

É certo que na admissão na consulta colocam uma pulseira indicando o grau de urgência daqueles utentes.

Todavia não impede que aguarde horas sem serem atendidos.

Daí resulta em críticas graves, por vezes linguagens impróprias que, numa sala com tanta gente a aguardar a ser consultada, entra quase em desespero que os mais sensatos e pacientes acabam também por desesperar.

Daí, de quem é a culpa? Falta educação, incultos ou falta de civismo?

Talvez tudo ao mesmo tempo.

Porém não devemos analisar um caso, como um todo. É muito diferente.

Os mais acérrimos na crítica falam só por falar ou então não passam de cretinos. Esquecem-se dos milhares de médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar que velam e acompanham os utentes durante o dia e noite. E as milhares de operações que fazem durante o ano para não deixarem morrer ou estabilizar doenças súbitas e medicamentos sem se pagar um cêntimo?

Não será isto o S.N.S? Reparamos, quanto a nós, toda a gente que trabalha com esta “empresa” S.N.S. são uns heróis, não é fácil “aturar” tanta gente nas suas lamúrias e ouvir tantas injustiças.

Diz o ditado que “Roma e Pavia não se fizeram num dia”, também não se poderá “fazer omeletes sem ovos”.

Quem viveu os últimos 30 anos à “pobreza” da nossa medicina e aqueles médicos denominados por “João Semanas” que todos admirávamos pela sua dedicação e altruísmo pelos próximos. Realmente, nos dias de hoje, podemos dizer que “de entre dentes nos dói um dente”.

Por tudo isto, devemos ser mais comedidos naquilo que dizemos, respeitar, neste caso, todos os corpos clínicos, todos aqueles que trabalham nesta área e que se dedicam a causas altruístas. Ouvir disparates que aparentemente agradam ao senso comum é a mesma coisa que não querer ver que “o rei vai nu”!