Motivados pelas Festas Pascais e pela vivência quaresmal e porque, também, no momento em que escrevia este editorial estava a passar ao pé da minha janela de trabalho a Procissão dos Ramos, todo o meu pensamento se encontrou na paixão e Morte de Jesus Cristo.

Como sou um Cristão convicto, sempre fui um homem apaixonado pelos exemplos tão lindos e belos que Jesus Cristo nos legou na sua passagem pela Terra. Jamais, desde criança, me poderia desviar dos meus ensinamentos que, com o tempo, os fui inculcando no meu coração e, dentro do possível, os pôr em prática.
Realmente, reparo hoje, com o peso dos meus 72 anos, como andamos enganados desde a nossa puberdade até aos nossos dias.

Reparo hoje que, quando se ama verdadeiramente, é quando atingimos a felicidade.

Reparo hoje na depravação do homem, onde os verdadeiros valores que Jesus Cristo no deixou, são postos de parte, esquecendo, nalguns casos, que a vida espiritual não existe.

Com efeito! Que vai ser do homem que só pensa nos bens materiais e, para os atingir, não olha a meios para alcançar os fins? Veja-se o que se passa no nosso país: a corrupção, a fuga de capitais e a exploração crassa por todos os lados; em contrapartida, há famílias inteiras famintas; milhares de sem abrigo e todos aqueles que sofrem em silêncio por não terem um naco de pão para eles e para dar aos filhos!

Não foi esta a mensagem que Jesus Cristo nos deixou.

Ele, filho de Deus vivo, expulsou do Templo, os vendilhões; os agiotas, os usurários; os banqueiros e todos os que faziam negócios naquele lugar.
Ele andou na Terra a fazer o bem, a ressuscitar mortos, curar doentes físicos e espirituais; viveu humildemente a sua compaixão e atingiu toda a sociedade, mas sempre foi um aliado dos desprotegidos. Ensinou-nos e deixou a sua doutrina de Salvação da Humanidade.

A Sua recompensa de todos os que o odiavam, arranjaram formas de o matar e foi cruxificado como um ladrão e morreu.

Aqui, a mentira sobrepõe-se à verdade e à razão.

Nos dias de hoje, a situação do mundo está quase idêntica, desde quando Jesus Cristo esteve entre nós.

A maldade e os valores de Paz, Amor e Solidariedade Fraternal estão a desaparecer. O mundo está perverso!

Como no alto da cruz, às 15 horas da tarde, daquela sexta-feira Santa, dizem também, bem alto e em uníssono todas as pessoas de bem:
“Pai, perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem!” - Acrescentando nós: “e o que dizem!”

Foi este exemplo de Paz e Amor que Jesus Cristo deixou ao mundo. Também, nos compete dizer a Jesus: “tende dó dos pobres pecadores e nós, como o ladrão arrependido que estava ao Teu lado cruxificado no Monte do Calvário, Te suplicamos: não te esqueças de nós, quando chegarmos ao Teu Reino.”