wrapper

Breves

Dezembro corria veloz! O Natal e a festa da Família aproximavam-se rapidamente. Os preparativos para as viagens rumo às terras do interior serrano tão castigadas pelos pavorosos incêndios do Verão e do Outono, iniciavam-se, não com o entusiasmo e a alegria do costume. O maldito fogo tinha tirado a vida a muita gente e deixado sem eira nem beira alguns que já eram pobres.

Um pouco distante do povoado, num casebre que as chamas de Outubro haviam inexplicavelmente poupado, resistindo ao frio e á fome, vivia um velhinho de quase 100 anos. As suas companhias de todas as horas eram um velho cão lazarento de nome “Farrusco” e um presépio tão antigo quão artístico em cima de uma mesa cheia de pó. O velhinho, embrulhado em cobertores e mantas que exalavam mau cheiro, comia de vez em quando, umas bolachas e bebia leite que dois jovens estudantes voluntários lhe vinham trazer.

O Natal tinha chegado e era já, uma certeza que haveria Missa do galo. Tudo estava a ser preparado ao pormenor. O padre Francisco, de idade avançada, dera já conhecimento da hora da missa.

Todas as pessoas daquele povoado que já não eram muitas, se dirigiam á Igreja para participar na Eucaristia do Natal e beijar o Menino Jesus. à homilia, o Pe. Francisco foi interrompido por um desassossego, um alvoroço na Igreja: é que o “Farrusco” – o cão do tio Norberto, o velhote de noventas e tal anos do casebre entrara na Igreja e num ladro de raiva, dôr e desespero, rodopiava agressivo. Foi então, que do meio dos cristãos, se movimentaram dois jovens estudantes – os voluntários que habitualmente visitavam o velhinho Norberto e saindo apressadamente, dirigiam-se na companhia do “Farrusco” ao Casebre do tio Norberto.

Que Impressionante e comovente espetáculo aquele com que se depararam: o velho Norberto continuava embrulhado nos cobertores e nas mantas, apertando contra o seu peito o presépio antigo que retirava da mesa. Vinda não se sabia bem de onde ouvia-se , uma música bela, comovente cheia de significado, “Noite Feliz, Noite de Paz”. Os jovens estudantes voluntários abriram uma sacola que traziam, colocaram uma toalha na mesa, espevitaram a lareira e encheram a mesa de iguarias.  

 

Momentos depois, pegaram no tio Norberto e colocaram-no á mesa. O cão saltou, de imediato para o seu lado com enorme alegria e um dos estudantes, disse: “Jesus nasceu em Belém, Paz na Terra aos Homens de boa vontade”, o colega retorquiu: como podem os pobres, os perseguidos, os abandonados, os esquecidos e marginalizados ter Natal? Fez-se um enorme silêncio. Os cânticos permaneciam bem audíveis vindos não se sabia bem de onde. O velho Norberto num esforço redobrado, entre alegria e emoção, foi dizendo: “Obrigado, Menino Jesus, obrigado meus jovens amigos obrigado “Farrusco”. Bom Natal para vocês. Este ano tenho Natal. Boas Festas para todos mas é importante refletir: ainda há quem possa ter Natal. 

Partilhar este artigo

Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

Eduardo Cabral

Estamos na época natalícia e, dentro desse ...

Joaquim Pimentel

Dezembro corria veloz! O Natal e a festa da ...

Mário Branquinho

O governo que não fez nada no Distrito da Guarda ...

Manuel Miranda

Não me saía das recordações a exposição das ...

André Figueiredo

Atendendo ao que se tem visto temos que estar à ...

Estrela da Beira

Chegou o frio porém nós temos Música. Música essa ...