Temos procurado escutar os principais analistas políticos dos vários canais de televisão e ler em alguns jornais os tidos como melhores articulistas na vertente política.

E é curioso que, para além de Santana Lopes, António Vitorino, Manuela Ferreira Leite e Marcelo Rebelo de Sousa, nos habituamos a ouvir Miguel Sousa Tavares e a acreditar na sua independência e total imparcialidade. Infelizmente, enganámo-nos.

Bastou estoirar a bomba acerca do Bes/Ges e do ex-banqueiro Ricardo Salgado, para se ficar a saber que, afinal Sousa Tavares não só não se mostra independente e imparcial como o julgávamos, como está até muito longe disso.

No meio de toda essa tragédia que envolveu o grupo Espírito Santo e Ricardo Salgado, Miguel Sousa Tavares que bateu fortemente em Vale e Azevedo, Dias Loureiro, Oliveira e Costa e outros, não teve uma palavra sequer que dissesse ou escrevesse sobre esse desastre que provocou um enorme rombo na banca e na credibilidade do nosso país. E sabe-se bem porquê!...

Sempre olhámos para o Dr. Miguel Sousa Tavares com enorme respeito e admiração tendo por base a sua postura enquanto jornalista e comentador da SIC. Além disso, deu-nos sempre e continua a dar prazer ler os romances que escreve não só porque o seu conteúdo é atrativo mas também porque a forma de escrever nos seduz.

Foi por tudo isso que o seu silêncio em relação aos problemas do BES e ao Dr. Ricardo Salgado nos deixaram muito tristes e sem palavras.

Ou muitos nos enganamos ou Miguel Sousa Tavares deixou cair a máscara podendo levar-nos a concluir que não é nem mais nem menos do que quase todos os outros comentadores. Como diria um velho amigo nosso, em tempos que já lá vão: “A independência e a imparcialidade de alguns foram colocadas em cima de uma folha de couve. Azar dos azares, veio um burro e comeu-a!...”

Não sabíamos que uma filha do autor do romance “Equador” era casada com um filho de Ricardo Salgado. E se é possível entender que esse facto pode explicar alguma coisa do seu comportamento, já não será possível admitir que tal facto dite uma transformação completa no comentador.

Não é crível que alguém com o papel e a responsabilidade de Sousa Tavares, queira, em circunstâncias iguais, Deus para si e o diabo para os outros.

Não há, de facto, como realmente!