São doentes aos milhares em situação de risco. São notícias de milhares de cirurgias adiadas. São doentes oncológicos em risco de vida com cirurgias urgentes adiadas. 

Um reduzido grupo de enfermeiros consegue fazer adiar cirurgias nos hospitais centrais, os mais preparados para esses serviços de saúde.

Os enfermeiros terão fortes e justificadas razões para fazerem greve.  É uma classe profissional descontente, com ordenados baixos, a fazer turnos de serviço seguidos, sem tempo para a família e para o descanso. Muitos emigram à procura de outros ordenados e de outras condições de trabalho. Outros andam em trabalho precário à espera de melhores tempos.

Um estudo da Universidade do Minho concluiu que entre 2 302 profissionais do Serviço Nacional de Saúde inquiridos, um quinto apresentava sintomas de exaustão física e emocional e dois terços estavam num nível de stresse muito elevado, o que potencia erros nos serviços e absentismo. 

Dos enfermeiros, poucos são os que estão nestas greves classificadas de cirúrgicos.

A greve acontece porque há descontentamento entre os enfermeiros. O último relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) reconhece que os enfermeiros portugueses são dos mais mal pagos no conjunto dos países dessa organização. 

Mas são muitos dias de greve. São muitas cirurgias adiadas. São doentes em risco de vida sem o atendimento necessário. 

São greves centradas em poucos hospitais. São greves em hospitais selecionados, aqueles que estão preparados para intervenções cirúrgicas de maior risco. 

A onda de greves cai muito mal na opinião pública, Os mais necessitados são os mais sujeitos aos percalços da greve, porque os endinheirados vão aos serviços privados, ou mais longe. 

A onda de greves deixa muitas dúvidas de legalidade, de legitimidade. A Procuradoria Geral da República já de manifestou contra esse procedimento, apontando-lhe ilegalidades. 

A onda de greves deixa muitas dúvidas sobre quem das greves ganhe e das greves esteja a fazer negócio. Negócios com a saúde.

A onda de greves deixa a suspeição de que as cirurgias adiadas sejam convenientemente empurradas para as clínicas privadas, alimentando assim o negócio nos serviços de saúde. 

Temos muitas notícias e muita gente a opinar sobre as greves cirúrgicas dos enfermeiros. São muitos os que discordam. 

Os mais atingidos são os que estão nas macas na lista de espera para as cirurgias entre gemidos e desejos de melhor saúde. 

Trata-se de greves localizadas, mais sentidos e perturbadoras nos hospitais centrais, conseguidas por reduzido grupo de profissionais. 

Deixam dúvidas e suspeitas se com estas greves não se esteja a fazer um grande jeito aos interesses privados na saúde, desacreditando o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e facilitando os negócios com a doença.

Os negócios com a saúde andam por aí.

Foi notícia e há  muito tempo se falava e era conhecido que os cinco maiores grupos privados da saúde facturaram à ADSE muitos milhões de euros muito acima do razoável, requisitando exames e serviços desnecessários para os diagnósticos, facturando exageradamente acima dos custos reais dos serviços prestados, entre outros processos de ganhar dinheiro à custa da doença.

São os negócios com a saúde! É a comercialização da doença!...