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Entrevista a Graça Saraiva, a docente mais antiga da EPSE

Graça da Assunção Monteiro de Sousa Saraiva, licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Ingleses e Alemães, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, é a docente mais antiga da Escola Profissional da Serra da Estrela (EPSE). Sempre atenta às necessidades da escola, esta professora, com um coração gigante que não deixa ninguém indiferente, está sempre disponível para ajudar os alunos, que contam com a sua empatia para fazer face aos seus desafios diários. A sua ânsia de propagar o bom nome da Escola é notória, envolvendo-se em todos os projetos dinamizados pela mesma e priorizando sempre o bem-estar da comunidade educativa. Atualmente, exerce também funções como Diretora Pedagógica da Escola Evaristo Nogueira, desempenhando com sucesso um papel de grande reconhecimento. Esta entrevista enquadra-se no âmbito das comemorações dos 30 anos da Escola Profissional da Serra da Estrela.

“Sinto-me uma privilegiada, por ter tido a capacidade, como Diretora de Turma, de transformar alunos indisciplinados e desmotivados em alunos interessados, empenhados e, em alguns casos, alunos brilhantes”

O seu gosto pela docência surgiu muito cedo. Em criança adorava brincar às escolinhas com as amigas. A leitura e a escrita fizeram sempre parte dos meus hábitos diários e quando entrou para o Ensino Secundário, olhava e analisava cada um dos meus professores e fazia a sua própria reflexão, dizendo para si própria que queria ser professora, ensinar, ajudar, trabalhar com crianças e jovens, criar laços de afetividade e carinho e ser relembrada, um dia mais tarde, como a Professora Graça. “Quando entrei para o Ensino Superior, a minha decisão e determinação já era a de ser Professora”, refere.

Está nesta Escola há 25 anos. Lecionou no ensino público durante 14 anos, antes de entrar na EPSE, nas escolas EB 2,3 de Loriga, Vila Nova de Tazem, Gouveia e Vilar Formoso e nas Escolas Secundárias de Seia e Gouveia. Tem quatro anos de experiência no âmbito do Programa de Generalização do Ensino de Inglês, no 1º ciclo do Ensino Básico, (AEC) nas Escolas de Ensino Básico EB1 Santiago, Santa Comba, Santa Eulália, Sameice, Sandomil, Agrupamento de Escolas Abranches Ferrão e Agrupamento de Escolas de Seia, Escola Básica 2º e 3º ciclos Dr. Guilherme Correia de Carvalho e, ainda, quatro anos de experiência de ensino de Inglês no ATL de Seia e Centro Paroquial de Seia. “Foi um caminho muito exigente, mas ao mesmo tempo compensador. Trabalhar com crianças a partir dos 3 anos tornou-se uma experiência desafiante e maravilhosa”, salienta.

O amor e o carinho que sentia e sente pelos alunos, pela própria Escola e por todo este projeto educativo, levou-a a abdicar do ensino público e a focar-se, apenas, no ensino profissional, nomeadamente no desta Escola.

Taxa de empregabilidade é maior para aqueles que se formam no ensino profissional

Quando questionada sobre as diferenças que separam o ensino regular do ensino profissional, Graça Saraiva não tem dúvidas em afirmar que estas “assentam em questões muito práticas. O ensino profissional tem uma componente mais prática do que o ensino público e prepara melhor os alunos que têm a certeza daquela que será a sua carreira futura. Estatisticamente, pelo que leio, a taxa de empregabilidade é maior para aqueles que se formam no ensino profissional. Mas, obviamente, que na hora da escolha, tudo depende daquilo que cada aluno quer seguir, o que mais gosta e pelo qual sente maior interesse.”

Experiências que a marcaram como professora

 “Ser professor é dedicar-se aos alunos, é educá-los, respeitá-los, prepará-los para o futuro e nunca desistir de um aluno, por mais contrariedades que surjam, é ser perseverante e lutador. Ser, atualmente, colega de alguns professores que já foram meus alunos e que de uma forma tão carinhosa, têm e contam experiências vividas há tanto tempo, é muito compensador,” salienta.

O facto de ter conseguido melhorar comportamentos e influenciar alunos a terem mais respeito pelos outros, a preocuparem-se com aspetos sociais, ambientais e culturais, a respeitar a diferença, a conviver com elas, marcou-a, também, como professora. “Conseguir despertar o carinho e o respeito dos meus alunos e ser lembrada por tantos, que ainda hoje, passados vários anos, me vêm visitar à Escola é, de facto, muito compensador. Sinto-me uma privilegiada, por ter tido a capacidade, como Diretora de Turma, de transformar alunos indisciplinados e desmotivados em alunos interessados, empenhados e, em alguns casos, alunos brilhantes”, refere.

A questão da interculturalidade e o valor das diferenças no seio da comunidade escolar

Para Graça Saraiva, “a Educação intercultural  significa, na perspetiva de ensino, uma educação que tem em conta as diferenças e pluralismos de grupos socioculturalmente distintos com o objetivo de promover e valorizar a diversidade em contextos multilíngues e multiculturais, é uma forma de compreender e abordar a educação enquanto projeto de transformação social tendo em vista a promoção do reconhecimento e respeito pelas diferenças.” Neste sentido, considera que “a escola atual tem procurado sensibilizar a comunidade educativa para a questão da interculturalidade e para o valor das diferenças e, aliás, é um dos domínios que é trabalhado no Projeto de Cidadania e Desenvolvimento nas escolas.”

Ser bom professor “é muito gratificante”

Na sua opinião, são muitas as características que definem um bom professor. “Um professor nunca deve faltar às aulas e chegar atrasado sistematicamente, ensinar sem educar, desconhecer os alunos, desrespeitar um aluno, inferiorizar um aluno, desmotivar um aluno a aprender, abordar apenas um ponto de vista, não ouvir os alunos, não aceitar a argumentação dos alunos quando válidas, não responder às perguntas, fazer distinções entre os alunos, com mais ou menos capacidades, não fornecer material relevante, não mostrar a importância dos conteúdos lecionados, não estabelecer e comunicar os objetivos da aula, não falar sobre a sua metodologia, não dar feedbacks construtivos, não respeitar a auto e hetero avaliação, não cumprir as promessas feitas, não se atualizar, não se adaptar ao mundo atual e às novas tecnologias, dar aulas monótonas, ser exageradamente rigoroso, não impor regras de comportamento, dispensar a disciplina, perder o autocontrolo na sala de aula, não ser sério, apesar de poder ser flexível, não variar o tom de voz, berrar na sala de aula e descuidar a sua aparência.

Ser considerado um bom professor é, para Graça Saraiva, “muito gratificante e ser lembrado com carinho e admiração pelos alunos é muito recompensador, em termos pessoais e profissionais.”

Agradecimentos

Por tudo aquilo que tem conseguido ao longo destes anos, a professora Graça, deixa vários agradecimentos: em primeiro lugar, aos seus filhos, que sempre a apoiaram neste seu percurso como Professora; ao neto às noras, aos seus alunos, pais/ encarregados de Educação, todos os seus colegas, aos funcionários, aos Conselhos de Administração e Diretores Pedagógicos, com os quais trabalhou e trabalha, a toda a Comunidade Escolar, à Comunidade Local, à família, ao seu saudoso Pai e amigos. Agradecimento especial para a Escola, ao Curso de Multimédia e à sua Coordenadora Rita Paiva.

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